«Não sei o nome daquele a quem foram escritas, nem o de quem as traduziu, mas parece-me que, publicando-as, não devo incorrer no seu desagrado.» Assim era o aviso ao leitor incauto que encontrava, pela primeira vez, este livro escrito em língua francesa e publicado em 1669. A história aí contada, em cinco cartas anónimas, seria a de uma freira portuguesa enclausurada num convento de Beja, que se apaixonara por um oficial francês de passagem. Depois da partida do militar, a mulher escreve-lhe num misto de amor e ódio, reivindicando a sua paixão. Redigido numa prosa magistral e exuberante, cedo suscitou leituras em todo o mundo, especulações, novas cartas aparentemente descobertas, traduções, respostas do seu destinatário, edições pirata, um fascínio que ainda hoje encerra um mistério: que ardente paixão foi esta, real ou literária?"

Não fiquei tão entusiasmada como o autor do texto acima, pois a repetição dos estados de espírito aborrece e faz duvidar da sinceridade dos sentimentos. Não me custa acreditar que seja uma peça literária escrita à medida... de qualquer propósito.
ResponderEliminar"Lettres Portugaises". Pubicadas em Paris no ano de 1669, tiveram assinalável sucesso em toda a Europa.
EliminarA autoria não está apurada, embora a freira que supostamente as escreveu tenha professado de facto no Convento de Beja.
Nos anos 70 do século XX, a obra esteve na base das "Novas Cartas Portuguesas" (Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa), conjunto de textos de afirmação feminista e política que provocou uma grande reacção do regime vigente.
Falaremos de tudo isso na sessão.
Obrigado.
M. NUNES